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domingo, 15 de julho de 2012

A casa dos mil espelhos


A Casa dos Mil Espelhos (Folclore japonês)

Tempos atras em um distante e pequeno vilarejo, havia um lugar conhecido como a casa dos 1000 espelhos. Um pequeno e feliz cãozinho soube deste lugar e decidiu visitar. Lá chegando, saltitou feliz escada acima até a entrada da casa. Olhou através da porta de entrada com suas orelhinhas bem levantadas e a cauda balançando tão rapidamente quanto podia. Para sua grande surpresa, deparou-se com outros 1000 pequenos e felizes cãezinhos, todos com suas caudas balançando tão rapidamente quanto a dele. Abriu um enorme sorriso, e foi correspondido com 1000 enormes sorrisos.
Quando saiu da casa, pensou,
- Que lugar maravilhoso! Voltarei sempre, um montão de vezes.
Neste mesmo vilarejo, um outro pequeno cãozinho, que não era tão feliz quanto o primeiro, decidiu visitar a casa. Escalou lentamente as escadas e olhou através da porta. Quando viu 1000 olhares hostis de cães que lhe olhavam fixamente, rosnou e mostrou os dentes e ficou horrorizado ao ver 1000 cães rosnando e mostrando os dentes para ele.
Quando saiu, ele pensou,
- Que lugar horrível, nunca mais volto aqui.
Todos os rostos no mundo são espelhos. 

quinta-feira, 8 de março de 2012

A Flor da Menta e o Coração das Mulheres

     Conta-se que quando as coisas estavam sendo criadas, Peroun, o grande Deus, ocupado em acertar a trajetória do sol, foi interrompido por um anjo encarregado de fazer os corações humanos.
     _ Senhor, me mandaste fazer os corações humanos e me disseste que o coração dos homens deveria ser forte como o carvalho e que ajuntasse a ele a sabedoria dos cogumelos que brotam os troncos aprodecidos das árvores. Assim foi feito, Senhor, mas não nos disseste como deve ser o coração das mulheres.
     O sábio Deus Peroun abaixou a cabeça e começou a refletir, quando um pequeno anjo chegou correndo e afobado.
     _ Senhor, disse ele, que florzinha estranha criaste. Enquanto brincava nos campos de trigo, encontrei-a quase escondida. Folhas pequenas e flores miúdas, cor de malva. Não resisti e arranquei-a. Tinha um perfume suave. Comecei a espremê-la entre os dedos. Ela exalava então um perfume ainda mais delicado e quando mais a atormentava, mais perfumada ficava.
     Que planta estranha, Senhor, por quê a criou?
     O sábio Deus Peroun respondeu:
     _ Esta é a flor da menta!
     E, virando-se para o anjo que aguardava instruções, disse:
     _ Que o coração das mulheres seja como a flor da menta!

Fábula do folclore jadzvingue.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

O Patinho Feio disney



Esta história fala sobre o pertencer, sobre a sensação de não fazermos parte desse bando, até encontrarmos a nosso grupo de cisnes. O interessante nisso, é que enquanto não encontramos o nosso lugar, temos a sensação de que tem algo errado com a gente... Esse tema acaba implicando na auto-estima.
Na quarta-feira, dia 08 de fevereiro, retomamos o grupo de estudos sobre o livro Mulheres que Correm com os Lobos, da Clarissa Pinkola éstes, exatamente nessa história. Participe!

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Certa vez um antropólogo empreendeu uma viagem a pé pela Índia. Numa certa noite, quando se esgueirava pela selva, ele avistou uma estranha cena: um velho religioso que dançava numa clareira, parecendo em êxtase. Corria e abraçava as árvores, ria quando as folhas balançavam e, sempre que o luar batia em seu rosto, mostrava uma expressão de alegria delirante. O antropólogo ficou assistindo até não conseguir mais se conter.
_ Perdoe-me _ disse então, saindo de trás dos arbustos. _ Mas o que o faz dançar aqui, sozinho na floresta?
          O religiosos virou-se para ele com ar intrigado e respondeu:
_ Eu também peço perdão, mas o que o faz pensar que estou sozinho?

Do livro Vida Incondicional,  de Depack Chopra

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O principe e o moinho de vento

     Um principe de caráter áspero possuía uma propriedade no norte da Rússia. Um dia, enquanto cavalgava, observou um moinho de vento cujas asas não se moviam. Furioso, chamou o moleiro e perguntou:
     _ Por que esse moinho não roda?
     _  Porque não há vento, respondeu o moleiro.
     Um moinho de vento é feito para rodar! Eu exijo que ele rode! Eu voltarei amanhã e pobre de você se não tiver obedecido minhas ordens.
     O principe voltou na manhã seguinte. O moinho continuava sem rodar. Ele gritou para o moleiro:
     _ Será que você náo compreendeu minhas ordens?
     _ Mas claro, alteza, compreendi muito bem.
     _ E então?
_ Então eu dei ordem ao moinho.
_ E então?
_ Então o moinho depois de me escutar respondeu:
_ Estou pronto a obedecer, mas vá dizer ao príncipe que é mais poderoso que nós que ordene ao vento de se levantar. Eu, justamente, já me preparava para ir ao encontro de vossa alteza pedir isso.


Fábula russa

     

sábado, 22 de outubro de 2011

Deus é mais forte

Ibotity tinha subido numa árvore quando o vento soprou a árvore; a árvore se partiu, Ibotity caiu e quebrou a perna.

- A árvore é forte porque quebrou minha perna – disse.

- O vento é mais forte do que eu – disse a árvore.

Mas o vento disse que a colina era mais forte, já que ela podia parar o vento. Ibotity, é claro, pensou que a força estava na colina, porque ela podia parar o vento, o vento que partiu a árvore, a arvore que quebrou sua perna.

- Não – disse a colina, enquanto explicava que o rato era mais forte, porque podia esburacar a colina.

- Eu posso ser morto pelo gato – contestou o rato.

E assim Ibotity pensou que o gato deveria ser o mais forte.

- De jeito nenhum – disse o gato, explicando que poderia ser apanhado por uma corda.

Ibotity achou que a corda devia ser a coisa mais forte. A corda, porém, explicou que podia ser cortada pelo ferro. Portanto o ferro era mais forte. O ferro, por sua vez, negou ser o mais forte, já que podia ser derretido pelo fogo.

Ibotity então pensou que o fogo devia ser o mais forte, porque ele derretia o ferro, o ferro que cortava a corda, a corda que prendia o gato, o gato que caçava o rato, o rato que esburacava a colina, a colina que parava o vento, o vento que partiu a árvore que quebrou a perna de Ibotity.

O fogo disse que era a água era mais forte. A água declarou que a canoa era muito mais forte, porque sulcava a água. Mas a canoa foi superada pela rocha, e a rocha pelo homem, e o homem pelo Mago, e o mago pela prova do veneno por Deus. Assim, Deus é mais forte de que tudo.

Ibotity pensou então que Deus podia vencer a prova que imobilizava o mago, que dominava o homem, que quebrava a pedra, que derrotava a canoa, que fendia a água, que apagava o fogo, que fundia o ferro, que partia a corda, que prendia o gato, que matava o rato, que esburacava a colina, que parava o vento que rachava a árvore que quebrou a perna de Ibotity.



Retirado do Livro "Histórias da Tradição Sufi" – Rio de Janeiro: Edições Dervish – Instituto Tarika, 1993.

domingo, 2 de outubro de 2011

Armand Amar (Poem of the atoms) " Bab´ Aziz "



Sinopse

Um poema visual de enorme beleza, uma obra de arte de Nacer Khemir, Baba Aziz encerra a trilogia do deserto. O filme inicia-se com a estória de um dervixe chamado Baba Aziz e sua neta espiritual, Ishtar. Juntos, percorrem o deserto atrás de uma grande reunião de dervixes que ocorre uma vez a cada 30 anos. Tendo a fé como único guia, os dois viajam por vários dias pela imensidão. Para ajudar a suportar a viagem, Baba Aziz passa a contar estórias do príncipe do deserto que contemplava sua alma ao lado de uma pequena piscina. No decorrer da narrativa, os viajantes encontram outros que também contam suas estórias.Repleto de imagens maravilhosas e belíssima música, Nacer Khemir criou uma fábula inédita e encantadora filmada nas areias da Tunísia e do Irã. O roteiro desse filme foi escrito pelo próprio Khemir, em parceria com Tonino Guerra, autor de diversos roteiros de grande sucesso (Amarcord, Night of the Shooting Stars, Blowup, entre outros)

Título Original: Bab Aziz , le prince qui contemplait son âme
Gênero: Aventura, Drama, Fantasia
Estreia no Brasil: 2006
Duração: 96 minutos

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Eduardo Galeano - O amor

O amor

Eduardo Galeano

Na selva amazônica, a primeira mulher e o primeiro homem se olharam com curiosidade. Era estranho o que tinham entre as pernas.
_ Te cortaram? – perguntou o homem.
_ Não – disse ela-. Sempre fui assim.
Ele a examinou de perto. Se coçou a cabeça. Ali havia uma ferida aberta.
Disse:
_ Não comas banana, nem mandioca, nem fruta alguma que se rache ao amadurecer. Eu te curarei. Deita-te na rede e descansa.
Ela obedeceu. Com paciência tomou a mistura de ervas e deixou que aplicasse as pomadas e ungüentos. Tinha que apertar os dentes para não rir, quando ele dizia:
_ Não se preocupe.
O jogo a agradava, mesmo que começava a cansar-se de viver em jejum e estendida na rede. A memória das frutas lhe enchia a boca d’água.
Uma tarde o homem chegou correndo através da floresta. Dava saltos de euforia e gritava:
_ Encontrei! Encontrei!
_ Acabara de ver o macaco curando a macaca na copa de uma árvore.
_ É assim – disse o homem, aproximando-se da mulher.
Quando terminou o longo abraço, um aroma espesso de flores e frutas, invadiu o ar. Dos corpos, deitados juntos, desprendiam-se vapores e fulgores jamais vistos, e era tanta sua beleza que morriam de vergonha os sóis e os deuses.




Tradução livre minha

sábado, 25 de junho de 2011

Mogli e Baloo : somente o necessário




Esse filme foi um marco na minha infância! O prazer, a alegria e a sabedoria de aproveitar o que a vida nos dá, simples assim....

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Cantar de Gilgamesh

O Cantar de Gilgamesh , considerada a obra-prima da literatura suméria, é um canto épico que narra as façanhas do Rei-herói, Gilgamesh, da antiga cidade de Uruk, na Mesopotâmia. O tema central vai além da narração de viagens, lutas e aventuras, temores e sonhos do protagonista: canta-se à amizade, ao amor, aos sentimentos de vingança, fala-se de opressão, de arrependimento e, acima de tudo, do temor à desaparição final e ao esquecimento após a morte. Este último é que leva Gilgamesh a uma procura insólita, desesperada e falida, mas não inútil, pela sua transcendência, da imortalidade.

Gilgamesh, talvez, o primeiro personagem histórico, viveu em torno do ano 2700 a.C., reinou em Uruk (a Erech bíblica) e construiu suas muralhas. Na lendária relação dos reis sumérios, ele é o sexto rei após o Dilúvio.

A existência desta obra-prima foi revelada pelo arqueólogo inglês George Smith que, em 1872, entre os restos da Biblioteca Real de Nínive, encontrou partes da descrição do Dilúvio Universal, semelhante mas muito anterior ao do Gênese do Antigo Testamento hebraico.

O Poema começa com o Elogio a Gilgamesh:

Ó! Divino Gilgamesh, que todo o viu

Eu te farei conhecer em todas as terras.

Eu ensinarei sobre (aquele) que experimentou todas as coisas.

Anu deu-lhe a totalidade do conhecimento do Todo.

Ele viu o Segredo, penetrou o Mistério.

Ele revelou o que houve antes do Dilúvio.

Ele fez grandes viagens, até o limite de suas forças

e quando voltou em paz...

Ele gravou numa estela de pedra a narração de suas proezas

e construiu as muralhas de Uruk, nosso lar,

e as paredes do Templo de Eanna, o sagrado santuário.

[...]

E, sobre o próprio Gilgamesh, diz:


Ele cruzou o oceano, os vastos mares até o sol nascente,

Ele explorou as regiões do mundo, buscando vida.

[...]

Dois terços dele são divinos, um terço é humano.

A grande deusa Aruru fez o modelo do seu corpo,

ela preparou sua forma...

... belo, o mais bonito dos homens,

... perfeito...

Gilgamesh é o pastor de Uruk, o refúgio,

decidido, eminente, conhecedor e sábio.

[...]

quinta-feira, 14 de abril de 2011

O Principe o o Moinho de Vento

     Um principe de caráter áspero possuía uma propriedade no norte da Russia. Um dia, enquanto cavalgava, observou um moinho de vento cujas asas não se moviam. Furioso, chamou o moleiro e perguntou:
     _ Porque esse moinho não roda?
     _ Porque não há vento, respondeu o moleiro.
     Um moinho de vento é feito para rodar! Eu exijo que ele rode! Dê um jeito! Eu voltarei amanhã e pobre de você se não tiver obedecido minhas ordens.
     O principe voltou na manhã seguinte. O moinho continuava sem rodar. Ele gritou para o moleiro:
     _ Será que você não compreendeu minhas ordens?
     _ Mas claro, alteza, compreendi muito bem.
     _ E então?
     _ Então eu dei a ordem ao moinho.
     _ E então?
     _ Então o moinho depois de me escutar respondeu:
     _ Estou pronto para obedecer, mas vá dizer ao principe que é mais poderoso que nós que ordene ao vento de se levantar. Eu, justamente, já me preparava para ir ao encontro de vossa alteza pedir isso.

Fábula russa

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Macrowikinomics Murmuration - legendado



Essa maravilha eu consegui através da Rosana, tão preciosa quanto as coisas que descobre.

segunda-feira, 14 de março de 2011

A RATOEIRA



Um rato olhando pelo buraco na parede vê o fazendeiro e sua mulher abrindo um pacote. Pensou logo em que tipo de comida poderia ter ali. Ficou aterrorizado quando descobriu que era uma ratoeira. Foi para o pátio da fazenda advertindo a todos: “Tem uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa.”

A galinha, que estava cacarejando e ciscando, levantou a cabeça e disse:

– Desculpe-me sr. Rato, eu entendo que é um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada, não me incomoda.

O rato repetiu a história ao porco.

– Desculpe-me sr. Rato, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser rezar. Fique tranqüilo que o senhor será lembrado nas minhas preces.

O rato dirigiu-se à vaca e repetiu a história.

– O que sr. Rato? Uma ratoeira? Por acaso estou em perigo? Acho que não!

Então o rato voltou para a casa, cabisbaixo e abatido, para encarar a ratoeira do fazendeiro. Naquela noite ouviu-se um barulho, como o de uma ratoeira pegando sua vítima. A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia. No escuro, ela não viu que a ratoeira prendeu a cauda de uma cobra venenosa. A cobra picou a mulher. O fazendeiro levou-a imediatamente ao hospital. Ela voltou com febre. Todo mundo sabe que, para alimentar alguém com febre, nada melhor que uma canja. O fazendeiro pegou seu cutelo e foi providenciar o ingrediente principal. Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la. Para alimentá- los, o fazendeiro matou o porco. Como a mulher não melhorou, muitas pessoas vieram visitá-la. O fazendeiro então sacrificou a vaca para alimentar toda aquela gente.

Na próxima vez que você ouvir dizer que alguém está diante de um problema e acreditar que o problema não lhe diz respeito, lembre-se: quando há uma ratoeira na casa, toda a fazenda corre risco.

(Autor desconhecido)

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Puro encanto!

http://www.littlecountry.net/

Esse site é incrivel, para alegrar crianças de todos os tamanhos. Adorei jogar a percussão, mas ainda não explorei todos...rsrsrs
Conheci através do blog da amanda- http://amandalla.blogspot.com/

domingo, 30 de janeiro de 2011

Nebulosa Carina - Revista National Geographic

A nebulosa Carina, uma intensa região de nascimento de estrelas da Via Láctea, encontra-se a 7,5 mil anos-luz de distância e tem diâmetro de 300 anos-luz. A estrutura cor de laranja em formato de globo um pouco deslocada do centro abriga estrelas enormes. O ponto oval brilhante à esquerda dele é a estrela Eta Carinae. Essa bomba-relógio cósmica explodirá em forma de supernova e se extinguirá numa explosão de radiação. Isso pode acontecer em breve, em termos astronômicos - ou seja, amanhã ou daqui a um milhão de anos.


Foto de Nasa/ESA/Nathan Smith, University of California, Berkeley/Hubble Heritage Team (HHT)

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Luis Fernando Veríssimo

O Melhor da Terapia

Luis Fernando Veríssimo

O melhor da Terapia é ficar observando os meus colegas loucos. Existem dois tipos de loucos. O louco propriamente dito e o que cuida do louco: o analista, o terapeuta, o psicólogo e o psiquiatra. Sim, somente um louco pode se dispor a ouvir a loucura de seis ou sete outros loucos todos os dias, meses, anos. Se não era louco, ficou.

Durante quarenta anos, passei longe deles. Pronto, acabei diante de um louco, contando as minhas loucuras acumuladas. Confesso, como louco confesso, que estou adorando estar louco semanal. O melhor da terapia é chegar antes, alguns minutos e ficar observando os meus colegas loucos na sala de espera. Onde faço a minha terapia é uma casa grande com oito loucos analistas. Portanto, a sala de espera sempre tem três ou quatro ali, ansiosos, pensando na loucura que vão dizer dali a pouco. Ninguém olha para ninguém. O silêncio é uma loucura. E eu, como escritor, adoro observar pessoas, imaginar os nomes, a profissão, quantos filhos têm, se são rotarianos ou leoninos, corintianos ou palmeirenses. Acho que todo escritor gosta desse brinquedo, no mínimo, criativo. E a sala de espera de um "consultório médico", como diz a atendente absolutamente normal (apenas uma pessoa normal lê tanto Paulo Coelho como ela), é um prato cheio para um louco escritor como eu. Senão, vejamos: Na última quarta-feira, estávamos:

1. Eu
2. Um crioulinho muito bem vestido,
3. Um senhor de uns cinqüenta anos e
4. Uma velha gorda.

Comecei, é claro, imediatamente a imaginar qual seria o problema de cada um deles. Não foi difícil, porque eu já partia do principio que todos eram loucos, como eu. Senão, não estariam ali, tão cabisbaixos e ensimesmados.

2. O pretinho, por exemplo. Claro que a cor, num país racista como o nosso, deve ter contribuído muito para levá-lo até aquela poltrona de vime. Deve gostar de uma branca, e os pais dela não aprovam o namoro e não conseguiu entrar como sócio do "Harmonia do Samba". Notei que o tênis estava um pouco velho. Problema de ascensão social, com certeza. O olhar dele era triste, cansado.Comecei a ficar com pena dele. Depois notei que ele trazia uma mala. Podia ser o corpo da namorada esquartejada lá dentro. Talvez apenas a cabeça. Devia ser um assassino, ou suicida, no mínimo. Podia ter também uma arma dentro. Podia ser perigoso. Afastei-me um pouco dele no sofá. Ele dava olhadas furtivas para dentro da mala assassina.

3. E o senhor de terno preto, gravata, meias e sapatos também pretos? Como ele estava sofrendo, coitado. Ele disfarçava, mas notei que tinha um pequeno tique no olho esquerdo. Corno, na certa. E manso. Corno manso sempre tem tiques. Já notaram? Observo as mãos. Roía as unhas.Insegurança total, medo de viver. Filho drogado? Bem provável. Como era infeliz esse meu personagem. Uma hora tirou o lenço e eu já estava esperando as lágrimas quando ele assoou o nariz violentamente, interrompendo o Paulo Coelho da outra. Faltava um botão na camisa. Claro, abandonado pela esposa. Devia morar num flat, pagar caro, devia ter dívidas astronômicas. Homossexual? Acho que não. Ninguém beijaria um homem com um bigode daqueles. Tingido.

4) Mas a melhor, a mais doida, era a louca gorda e baixinha. Que bunda imensa. Como sofria, meu Deus. Bastava olhar no rosto dela. Não devia fazer amor há mais de trinta anos. Será que se masturbaria? Será que era esse o problema dela? Uma velha masturbadora? Não! Tirou um terço da bolsa e começou a rezar. Meu Deus, o caso é mais grave do que eu pensava.Estava no quinto cigarro em dez minutos. Tensa. Coitada. O que deve ser dos filhos dela? Acho que os filhos não comem a macarronada dela há dezenas e dezenas de domingos. Tinha cara também de quem mentia para o analista. Minha mãe rezaria uma Salve-Rainha por ela, se a conhecesse.

Acabou o meu tempo. Tenho que ir conversar com o meu psicanalista. Conto para ele a minha "viagem" na sala de espera. Ele ri, ..... ri muito, o meu psicanalista, e diz:

- O Ditinho é o nosso office-boy.

- O de terno preto é representante de um laboratório multinacional de remédios lá no Ipiranga e passa aqui uma vez por mês com as novidades.

- A gordinha é a Dona Dirce, minha mãe.

- E você, não vai ter alta tão cedo...

terça-feira, 2 de novembro de 2010

O gato


Um samurai tinha problemas por causa de um rato que decidira compartilhar sua casa com ele. Alguém lhe disse:
_ Necessitas de um gato. Buscou então na vizinhança e o encontrou: era um gato impressionate, charmoso e forte. Porém o rato era mais rápido que o gato e escapava da sua força.

O samurai adotou um segundo gato, muito astuto. Desconfiado, o rato só aparecia quando ele dormia. Então lhe trouxeram um gato de um templo zen. Tinha aspecto distraido, era mediocre e parecia sempre sonolento. O samurai pensou:

- Não será este que me livrará do rato. De fato, o gato, sempre sonolento e indiferente, rapidamente deixou de inspirar precauções ao rato, que passava perto dele sem fazer-lhe caso. Um dia, subitamente, de um golpe, pegou o rato.

Esse gatinho indiferente e distraído é o meu Miau. A foto é da Sara.

sábado, 30 de outubro de 2010

O centésimo macaco


Teoria do campo mórfico de Rupert Sheldrake

" Há mais de 30 anos cientistas estudavam colônias de macacos em ilhas isoladas nas costas do Japão. De maneira a obervá-los e anotar registros, os cientistas atraiam os macacos para a prais oferecendo-lhes batata-doce. Os macacos desciam das árvores para aproveitar a refeição gratuita e se colocavam numa posição de onde podiam ser facilmente observados. Um dia uma macaca de 18 meses, chamada de Inno começou a lavar sua batata no mar antes de comê-la. Imagino que isto melhorou o sabor por tirar os grãos de areia e pesticidade, ou então ficava mais saborosa por conta do sal. Inno mostrou a seus companheiros de brincadeiras e a sua mãe como lavar as batatas, seus amigos mostraram às suas mães e, gradualmente, mais e mais macacos começaram a lavar suas batatas ao invés de as comerem como eram oferecidas. Inicialmente apenas as fêmeas adultas que imitavam seus filhotes aprenderam, mas gradualmente, outros aprenderam também.
Um dia os cientistas observaram que todos os macacos dquela ilha estavam lavando suas batatas antes de comê-las. Embora isso seja significativo, o que foi mais fascinante é que esta mudança de comportamento não ocorreu apenas naquela ilha. Subitamente os macacos de todas as outras ilhas estavam lavando suas batatas - apesar das colônias de macados de diferentes ilhas não terem nenhuma comunicação entre si."
Versão escrita por Ken Keynes Junior

Como um unico indíviduo pode fazer tanta diferença!
Quem atua como Inno em sua vida, trazendo mudanças positivas?
E você, onde tem atuado assim?

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Os cegos e a questão do elefante



História da tradição oral

Numa cidade da Índia viviam sete sábios cegos. Como os seus conselhos eram sempre excelentes, todas as pessoas que tinham problemas recorriam à sua ajuda. Embora fossem amigos, havia uma certa rivalidade entre eles que, de vez em quando, discutiam sobre qual seria o mais sábio.
Certa noite, depois de muito conversarem acerca da verdade da vida e não chegarem a um acordo, o sétimo sábio ficou tão aborrecido que resolveu ir morar sozinho numa caverna da montanha. Disse aos companheiros:
- Somos cegos para que possamos ouvir e entender melhor que as outras pessoas a verdade da vida. E, em vez de aconselhar os necessitados, vocês ficam aí discutindo como se quisessem ganhar uma competição. Não aguento mais! Vou-me embora.
No dia seguinte, chegou à cidade um comerciante montado num enorme elefante. Os cegos nunca tinham tocado nesse animal e correram para a rua ao encontro dele. O primeiro sábio apalpou a barriga do animal e declarou:
- Trata-se de um ser gigantesco e muito forte! Posso tocar nos seus músculos e eles não se movem; parecem paredes... - Que palermice! - disse o segundo sábio, tocando nas presas do elefante. - Este animal é pontiagudo como uma lança, uma arma de guerra... - Ambos se enganam - retorquiu o terceiro sábio, que apertava a tromba do elefante. - Este animal é idêntico a uma serpente! Mas não morde, porque não tem dentes na boca. É uma cobra mansa e macia...
- Vocês estão totalmente alucinados! - gritou o quinto sábio, que mexia nas orelhas do elefante. - Este animal não se parece com nenhum outro. Os seus movimentos são bamboleantes, como se o seu corpo fosse uma enorme cortina ambulante...
- Vejam só! - Todos vocês, mas todos mesmos, estão completamente errados! - irritou-se o sexto sábio, tocando a pequena cauda do elefante. - Este animal é como uma rocha com uma corda presa no corpo. Posso até pendurar-me nele.
E assim ficaram horas debatendo, aos gritos, os seis sábios. Até que o sétimo sábio cego, o que agora habitava a montanha, apareceu conduzido por uma criança. Ouvindo a discussão, pediu ao menino que desenhasse no chão a figura do elefante. Quando tacteou os contornos do desenho, percebeu que todos os sábios estavam certos e enganados ao mesmo tempo. Agradeceu ao menino e afirmou:
- É assim que os homens se comportam perante a verdade. Pegam apenas numa parte, pensam que é o todo, e continuam tolos!