Mostrando postagens com marcador Mario Quintana. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mario Quintana. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

M. Quintana




Santiago- Chile

POEMA DE CIRCUNSTÂNCIA

Onde estão os meus verdes?
Os meus azuis?
O Arranha-Céu comeu!
E ainda falam nos mastodontes, nos brontossauros,
nos tiranossauros,
Que mais sei eu...
Os verdadeiros monstros, os Papões, são eles, os
arranha-céus!
Daqui
Do fundo
Das suas goelas,
Só vemos o céu, estreitamente, através de suas
empinadas gargantas ressecas.
Para que lhes serviu beberem tanta luz?!
Defronte
À janela aonde trabalho
Há uma grande árvore...
Mas já estão gestando um monstro de permeio!
Sim, uma grande árvore... Enquanto há verde,
Pastai, pastai, olhos meus...
Uma grande árvore muito verde... Ah,
Todos os meus olhares são de adeus
Como o último olhar de um condenado!

Mario Quintana in: Apontamentos de História Sobrenatural – 1976 

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Quintana

Do Prazer
Quanto mais leve mais sutil
O prazer que das coisas nos provém.
Escusado é beber todo um barril
Para saber que gosto o vinho tem.

Das Idéias
Qualquer idéia que te agrade,
Por isso mesmo... é tua.
O autor nada mais fez que vestir a verdade
Que dentro em ti se achava inteiramente nua...

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Quintana e Ticiano

Titien, Enfant avec des chiens

Rotterdam, musée Bojmans van Beuningen
(Inv 2569)      
CRIANÇA & CACHORRO

Triste de quem não teve um cachorro na infância! Para uma criança, criatura tão necessitada de todos, tão frágil e sozinha, um cachorro é um teste de amor desinteressado da parte dela.., é ter uma outra criatura que dependa, enfim, dos seus cuidados.

_____________Mario Quintana - Caderno H

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Mário Quintana

Do Objeto amado

Impossível que a gente haja nascido
Com os encantos que um no outro vê!
E um belo dia se descobre que
Houvera apenas um mal entendido....

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Mário Quintana

Eu estava dormindo e acordaram-me.
... e me encontrei num mundo incerto e louco!
Mas quando eu começava a compreendê-lo um pouco,
já eram horas de dormir de novo...

sábado, 30 de julho de 2011

Mario Quintana - Motivo da Rosa

A rosa, bela Infância das sete saias
e cuja estirpe não lhe rouba, entanto,
o ar de menina, o recatado encanto
da mais humilde das suas aias,
a rosa, essa presença feminina,
que é toda feita de perfume e alma,
que tanto excita como tanto acalma,
a rosa... é como estar junto da gente
um corpo cuja posse se demora
_ brutal possuí-lo nesta mesma hora
com sua virgindade inexperiente....
Rosa, ó fiel promessa de ventura
em flor... rosa paciente, ardente, pura!



Essas rosas maravilhosas eu ganhei do filhão... foi tanto amor que duraram mais de 10 dias e abriram todas!

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Mário Quintana - História quase mágica


O Idiota da Aldeia gostava de coisas brilhantes...
Mal nos respondia: éramos apenas gentes...
Mas uma noite o surpreendi falando longamente a um trinco de porta
Redondo, luzente de luar.
Só vos digo,
Ao que parece,
Que o brilho do metal ora abrandava, ora fulgia mais,
Como se por instantes, ouvisse e depois respondesse.
Só vos digo que, nestes ocultos assuntos, nada se pode dizer....

Minha singela homenagem aos personagens de nossas cidades, que andam por caminhos que nem todos vêem, atravessam pontes, do visível ao invisível, das profundenzas escuras ao mais brilhante sol... nos trazem o fascínio de mundos secretos e, algumas vezes, inesperadamente, nos convidam a entrar em seus mistérios... e tudo, graças a foto do Quinzinho que a Rose descobriu no Face... caminhos digitalizados para acessar memórias profundas... mundos dentro de mundos!

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Mário Quintana

Do Mal e do Bem

Todos têm seu encanto: os santos e os corruptos.
Não há coisa, na vida, inteiramente má.
Tu dizes que a verdade produz frutos...
Já viste as flores que a mentira dá?


Da Arte de Ser Bom

Sê bom. Mas ao coração
Prudência e cautela ajunta.
Quem todo de mel se unta,
Os ursos o lamberão.


Do que Elas Dizem

O que elas dizem nunca tem sentido?
Que importa? Escute-as um momento.
Como quem ouve, entre encantado e distraído,
A voz das águas... o rumor do vento...

domingo, 17 de abril de 2011

Mario Quintana - Elegia

Minha vida é uma colcha de retalhos,
todos da mesma cor....

terça-feira, 22 de março de 2011

Mário Quintana - O cais

Naquele nevoeiro
Profundo,profundo...
Amigo ou amiga,
Quem é me espera?

Quem é que me espera,
Que ainda me ama,
Parado na beira
do Cais do Outro Mundo?

Amigo ou Amiga
que olhe tão fundo
tão fundo em meus olhos
e nada me diga...

Que rosto esquecido...
ou radiante face
puro sorriso
de algum novo amor?!

Ma'rio Quintana - Poesias - Ed. Globo

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Mário Quintana

Às vezes tudo se ilumina de uma intensa irrealidade

E é como se agora este pobre, este único, este efêmero instante do mundo

Estivesse pintado numa tela,

Sempre...

Mário Quintana

sábado, 9 de outubro de 2010

Invitation au voyage


Se cada um de vós, ó vós outros da televisão
_ vós que viajais inertes
como defuntos num caixão -
Se cada um de vós abrisse um livro de poemas
Faria uma verdadeira viagem...
Num livro de poemas se descobre de tudo, de tudo mesmo!
- inclusive o amor e outras novidades.

Mário Quintana - Baú de espantos

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Mário Quintana

Conversa bem brasileira

_ Desculpe, minha senhora, mas não consigo lembrar-me se a conheço do último carnaval, da última greve ou da última enchente...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Inscrição para uma lareira

A vida é um incêndio: nela
dançamos, salamandras mágicas
Que importa restarem cinzas
se a chama foi bela e alta?
Em meio aos toros que desabam,
cantemos a canção das chamas!

Cantemos a canção da vida,
na própria luz consumida...

Mário Quintana