sexta-feira, 29 de abril de 2011

Drummond

Sob o Chuveiro Amar 
Sob o chuveiro amar, sabão e beijos,
ou na banheira amar, de água vestidos,
amor escorregante, foge, prende-se,
torna a fugir, água nos olhos, bocas,
dança, navegação, mergulho, chuva,
essa espuma nos ventres, a brancura
triangular do sexo — é água, esperma,
é amor se esvaindo, ou nos tornamos fonte?

Carlos Drummond de Andrade, in 'O Amor Natural'

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Fernando Pessoa - Grandes Mistérios Habitam



Grandes mistérios habitam
O limiar do meu ser,
O limiar onde hesitam
Grandes pássaros que fitam
Meu transportardo de os ver.

São aves cheias de abismo,
Como nos sonhos as há.
Hesito se sondo e cismo,
E à minha alma é cataclismo
O limiar onde está.

Então desperto do sonho
E sou alegre da luz,
Inda que em dia tristonho;
Porque o limiar é medonho
E todo passo é uma cruz.

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

Florbela Espanca

Rústica
Ser a moça mais linda do povoado.
Pisar, sempre contente, o mesmo trilho,
Ver descer sobre o ninho aconchegado
A bênção do Senhor em cada filho.

Um vestido de chita bem lavado,
Cheirando a alfazema e a tomilho...
- Com o luar matar a sede ao gado,
Dar às pombas o sol num grão de milho...

Ser pura como a água da cisterna,
Ter confiança numa vida eterna
Quando descer à "terra da verdade"...

Deus, dai-me esta calma, esta pobreza!
Dou por elas meu trono de Princesa,
E todos os meus Reinos de Ansiedade.

Florbela Espanca, in "Charneca em Flor"

terça-feira, 26 de abril de 2011

Abdul Rahman Jami

Acostuma-te a  manter esta nobre relação de maneira que em nenhum momento e em situação alguma te encontres desprovido:
Quando vais ou quando vens, quando comes ou quando dormes, quando escutas ou quando falas, - numa palavra - em todos teus gestos e atitudes esta relação deve estar presente em cada instante, a fim de que tua vida não degenere em vaidade. Vigia teu sopro de vida para não dispersá-lo.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Maurice Denis - Abril

 Maurice Denis. The Seasons Series: April/Cycle des saisons: Avril. 1892. 37.5 x 61 cm. Rijksmuseum Kröller-Müller, Otterlo, the Netherlands.

RUMI





Não temos nada além do amor
Não temos antes, princípio nem fim
A alma grita e geme dentro de nós:
- Louco é assim o amor
Colhe-me, colhe-me, colhe-me

domingo, 24 de abril de 2011

Feliz Páscoa!

Agora é a hora de deixarmos que nossas antigas tristezas, dores e sofrimentos sejam transmutados em alegrias e luz. Que o amanhecer desse novo dia nos preencha com suas cores e amores, que a paz e as bençãos sejam abundantes para nós.


E, nada melhor nesse dia tão especial que acordar com essa mensagem preciosa da minha querida Léo, extraída do Fernando Pessoa:

“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas,
que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos,
que nos levam sempre aos mesmos lugares.
É o tempo da travessia e se não ousarmos fazê-la
teremos ficado para sempre, à margem de nós mesmos.”
Um belo renascimento para cada um!

sábado, 23 de abril de 2011

“Inspiration Fabergé” é a linha exclusiva e limitada de Ovos de Páscoa da The King Cake

“Inspiration Fabergé” é a linha exclusiva e limitada de Ovos de Páscoa da The King Cake


Publicado em: 1 abril 2011

Quem conhece um pouco sobre a cultura francesa certamente já ouviu falar no joalheiro Peter Carl Fabergé, conhecido pelos Ovos Fabergé, obras-primas criadas no período de 1885 e 1917 para os czares da Rússia. Os Ovos, cuidadosamente feitos por uma combinação entre esmalte, metais e pedras preciosas, traziam surpresas em miniaturas e eram encomendados pelos membros da família imperial para serem dados na Páscoa. Disputados por colecionadores no mundo todo, os famosos Ovos de Páscoa criados pelo joalheiro russo são admirados pela perfeição e considerados símbolos da arte joalheira.

E foi inspirado em toda essa história, que o cake designer Nelson Pantano superou as expectativas e lançou a linha “Inspiration Fabergé”. Nelson reproduziu 36 exemplares exclusivos dos Ovos Fabergé, mas, ao invés das pedras preciosas e dos metais, utilizou as suas próprias ferramentas: os conceituados chocolates Valrhona, massa de açúcar e corantes importados.

São 12 ovos de cada sabor: o ovo vemelho é de chocolate amargo Caraibe (66% cacau), com notas de frutas secas e amêndoas em base amadeirada e cacau do Caribe; o ovo cor de rosa é de chocolate ao leite Jivara Lactee (40% de cacau), com notas intensas de caramelo e baunilha, e cacau do Equador; e o ovo verde é de chocolate branco Ivoire.
Todos os ovos são numerados e pesam 600g.

E quem teria coragem de comer uma preciosidade dessas????????????

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Paulo Leminsk

o novo
não me choca mais
nada de novo
sob o sol

apenas o mesmo
ovo de sempre
choca o mesmo novo

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Gibran Kahlil Gibran

Os Filhos



"Vossos filhos não são vossos filhos,

são os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.

Vêm através de vós, mas não de vós.

E embora vivam convosco, não vos pertencem.

Podeis outorgar-lhes vosso amor,

mas não vossos pensamentos.

Porque eles têm seus próprios pensamentos.

Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;

Pois suas almas moram na mansão do amanhã,

que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.

Podeis esforçar-vos por ser como eles,

mas não podem fazê-los como vós,

Porque a vida não anda para trás

e não se demora com os dias passados.

Vós sois os arcos dos quais vossos filhos

são arremessados como flechas vivas.

O Arqueiro mira o alvo na senda do infinito

e vos estica com toda a sua força

para que suas flechas se projetem rápido e para longe.

Que vosso encurvamento na mão do Arqueiro seja vossa alegria;

Pois assim como Ele ama a flecha que voa,

ama também o arco que permanece estável."


(Gibran Kahlil Gibran - O Profeta)

Quando eu era adolescente minha mãe tinha esse livro. E, sabiamente, mostrou-me esse poema. Hoje, meus filhos são filhos da vida. Eles são as flechas que foram arremessadas.... indiscutivelmente, meu maior tesouro e alegria. Esse poema ganhou um sentido muito mais profundo, enquanto a admiração por minha mãe cresce à cada dia!

JUNG

"O lema "querer é poder" é a superstição do homem moderno.
Para sustentar essa crença, no entanto, o homem contemporâneo paga o preço de uma incrível falta de introspecção. Não consegue perceber que, apesar de toda sua racionalização e toda sua eficiência, continua possuído por "forças" fora do seu controle. Seus deuses e demonios absolutamente não desapareceram; tem , apenas, novos nomes. E o conservam em contato íntimo com a inquietude, com apreensões vagas, com complicações psicológicas, com uma insaciável necessidade de pilulas, alcool, fumo, alimento e, acima de tudo, com uma enorme coleção de neuroses."

O homem e seus simbolos - Carl G. Jung

segunda-feira, 18 de abril de 2011

"A vida é breve, mas cabe nela muito mais do que somos capazes de viver "  

José Saramago

domingo, 17 de abril de 2011

Mario Quintana - Elegia

Minha vida é uma colcha de retalhos,
todos da mesma cor....

sábado, 16 de abril de 2011

Henrique Bernardelli

Chileno nascido em 1858, Henrique Bernadelli mudou-se ainda criança para o Brasil, em 1865, quando seus pais, um violinista e uma bailarina, foram contratados pelo Imperador Dom Pedro II para serem preceptores das princesas imperiais.
Em 1870 matriculou-se na Academia Imperial de Belas Artes, onde foi aluno de Victor Meirelles, Zeferino da Costa e Agostinho da Motta, entre outros. Seguindo seu irmão, Rodolfo Bernadelli, Henrique terminou brilhantemente seu curso na Academia e mudou-se para Roma, onde durante os anos de 1878 a 1886 estudou pintura.
De volta ao Brasil em 1886, Bernadelli fez-se notar através de uma exposição no Rio de Janeiro, em que expôs obras trazidas de Roma, como Mater e A Messalina. Ambas acompanham uma tendência natural do artista a acentuar a naturalidade das coisas, o que estaria presente em suas outras obras.


A Messalina

Mater
 
É impressionante como o rosto da Mater lembra minha mãe e minha irmã Sonia, como se fosse uma mistura das duas. Na aula hoje, projetada em alta definição, fiquei pasma! Aqui, infelismente, não ficou tão evidente.
O sagrado e o profano, nos vários aspectos do feminino.
 

Clarice Lispector




"Eu vou lhe dar de presente uma coisa.
É assim: borboleta é pétala que voa."

sexta-feira, 15 de abril de 2011

“A alegria caracteriza a paz.”


                                                                   Um curso em milagres.



quinta-feira, 14 de abril de 2011

O Principe o o Moinho de Vento

     Um principe de caráter áspero possuía uma propriedade no norte da Russia. Um dia, enquanto cavalgava, observou um moinho de vento cujas asas não se moviam. Furioso, chamou o moleiro e perguntou:
     _ Porque esse moinho não roda?
     _ Porque não há vento, respondeu o moleiro.
     Um moinho de vento é feito para rodar! Eu exijo que ele rode! Dê um jeito! Eu voltarei amanhã e pobre de você se não tiver obedecido minhas ordens.
     O principe voltou na manhã seguinte. O moinho continuava sem rodar. Ele gritou para o moleiro:
     _ Será que você não compreendeu minhas ordens?
     _ Mas claro, alteza, compreendi muito bem.
     _ E então?
     _ Então eu dei a ordem ao moinho.
     _ E então?
     _ Então o moinho depois de me escutar respondeu:
     _ Estou pronto para obedecer, mas vá dizer ao principe que é mais poderoso que nós que ordene ao vento de se levantar. Eu, justamente, já me preparava para ir ao encontro de vossa alteza pedir isso.

Fábula russa

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Manoel de Barros

Retrato Quase Apagado em que se Pode Ver Perfeitamente Nada

de "O Guardador de Águas"


IX


Eu sou o medo da lucidez

Choveu na palavra onde eu estava.

Eu via a natureza como quem a veste.

Eu me fechava com espumas.

Formigas vesúvias dormiam por baixo de trampas.

Peguei umas idéias com as mãos - como a peixes.

Nem era muito que eu me arrumasse por versos.

Aquele arame do horizonte

Que separava o morro do céu estava rubro.

Um rengo estacionou entre duas frases.

Uma descor

Quase uma ilação do branco.

Tinha um palor atormentado a hora.

O pato dejetava liquidamente ali.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Nasrudin

Certa vez Nasrudin se viu em grandes apuros. Em uma viagem através de um país extranho foi confundido com um malfeitor foragido da justiça. Foi preso e condenado à morte.

Nasrudin quase não teve tempo de acreditar no que acontecia. Quando enfim percebeu a gravidade da situação, colocou uma forte intuição no sentido de se livrar daquilo. A forma, ele nem imaginava.
Como era comum naquele país, o condenado tinha o direito de satisfazer a sua última vontade.
Quando foi perguntado qual era a sua última vontade, Nasrudin disse:
"Escolher a forma da minha morte!"
O Juiz disse a Nasrudin: "Você foi condenado à morte e a forma como isso se dará não é relevante na questão. De que forma você quer morrer?"
Nasrudin, aliviado, respondeu: "De velho!"
.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Alegoria sobre alquimia



Um pai tem diversos filhos preguiçosos. Em seu leito de morte, diz-lhes que encontrarão o seu tesouro escondido no campo. Eles escavam o campo e nada encontram. Por isso plantam trigo, que lhes proporciona abundante colheita. Fazem o mesmo por vários anos. Não encontram ouro mas, indiretamente, enriquecem e se afazem ao trabalho construtivo. Finalmente, tornam-se lavradores honestos e se esquecem de cavoucar o campo em busca de ouro.”
“Preciso plantar com diligência meu próprio campo. Existe dentro dele um germe espiritual que pode viver mil anos. Sua flor é como ouro líquido. Seu botão não é grande, mas suas sementes são redondas e se parecem com uma gema sem jaça. Seu crescimento depende do solo do palácio central, mas cumpre que a sua irrigação proceda de um manancial mais elevado. Depois de nove anos de cultivo, a raiz e o galho podem ser transplantados para o céu de um dos gênios mais altos”.  alquimista chinês Lu Tsu (citado por William A. P. Martin, The lore of Cathay, 1901,

domingo, 10 de abril de 2011

Arcimboldo - Outono


Giuseppe Arcimboldo (? 1527 — 1593 ?) foi um pintor italiano.

Suas obras principais incluem a série "As quatro estações", onde usou, pela primeira vez, imagens da natureza, tais como frutas, verduras e flores, para compor fisionomias humanas. A ideia de reproduzir as estações como pessoas já era usada desda a época dos romanos, no entanto Arcimboldo foi o pioneiro na utilização de vegetais de cada época, na composição de rostos humanos.

o artista fez referência ao gênero do retrato, preservando a opulência do retrato cortesão, mas construiu seus personagens a partir de imagens da fauna e da flora, elementos que, no século XVII, estariam presentes no novo gênero da natureza morta. A diversidade de possibilidades de interpretação a partir das composições "estranhas" de Arcimboldo é um dos motivos que levaram, durante muito tempo, ao seu esquecimento pelos historiadores. Existe em sua Obra uma identidade dual, tanto no jogo visual que proporciona, como em um jogo de sentidos ocultos que ele sugere - ponto que relaciona o artista com seu antecessor, Bosch. Hauser fala de Arcimboldo como um "maneirista pervertido" e estabelece conexões entre ele e o movimento modernista do Surrealismo.
"A arte não reproduz o visível. O faz visível."    Paul Klee 


"A pintura é mais forte que eu, sempre consegue que faça o que ela quer."    Pablo Picasso



"Uma simples linha pintada com o pincel pode levar a Liberdade e a Felicidade."    Miró

sábado, 9 de abril de 2011

Três representações de Vênus

Rubens, Venus e Adonis, c. 1635
Metropolitan Museum of Art - New York
Pierre-Paul Rubens, à maneira belga ou francesa ou Peter Paul Rubens em holandes. 1577/1640 - século XVII
É um pintor barroco flamengo.



Venus at her Mirror
(Rokeby Venus)
1649-1651
Diego Rodriguez de Silva y Velazquez
(Spanish painter 1599-1660)
National Gallery, London


Titian (Tiziano Vecellio) Venus and Cupid with an Organist. c.1548.. Museo do Prado, Madri, Espanha.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Anônimo

Eis-me aqui tal qual sou, eis-me diante de Ti,
fazendo parte de tua indigente e solícita servidão:
suprema honra do homem!

Eis-me aqui,
desde a nudez propícia
para encontrar-te,
eis-me aqui!

Escrevi Teu nome sobre a água e a água se fez espuma.
Escrevi Teu nome sobre a espuma e a espuma se fez vento.
Escrevi Teu nome sobre o vento e o vento se fez fogo.
Escrevi Teu nome sobre o fogo e o fogo se fez luz.
E a Luz arrancou-me a pena no luminoso silêncio do coração.
E todo mundo escreveu na Tua luz.

Manoel Aguiar, Sobre amantes e mendigos, Almanara Editorial

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Elis Regina - Maria Maria




Essa música é daquelas que marcam uma época. Que bom poder recordá-la no curso de hoje, rodeada de tantas Marias, com essa estranha mania de ter fé na vida!

Monja Coen

JAPÃO: COMPORTAMENTO ANTE A TRAGÉDIA


Quando voltei ao Brasil, depois de residir doze anos no Japão, me incumbi da difícil missão de transmitir o que mais me impressionou do povo Japonês: kokoro. Kokoro ou Shin significa coração-mente-essência. Como educar pessoas a ter sensibilidade suficiente para sair de si mesmas, de suas necessidades pessoais e se colocar a serviço e disposição do grupo, das outras pessoas, da natureza ilimitada?

Outra palavra é gaman: aguentar, suportar. Educação para ser capaz de suportar dificuldades e superá-las.

Assim, os eventos de 11 de março, no Nordeste japonês, surpreenderam o mundo de duas maneiras. A primeira pela violência do tsunami e dos vários terremotos, bem como dos perigos de radiação das usinas nucleares de Fukushima. A segunda pela disciplina, ordem, dignidade, paciência, honra e respeito de todas as vítimas. Filas de pessoas passando baldes cheios e vazios, de uma piscina para os banheiros.

Nos abrigos, a surpresa das repórteres norte americanas: ninguém queria tirar vantagem sobre ninguém. Compartilhavam cobertas, alimentos, dores, saudades, preocupações, massagens. Cada qual se mantinha em sua área. As crianças não faziam algazarra, não corriam e gritavam, mas se mantinham no espaço que a família havia reservado.

Não furaram as filas para assistência médica - quantas pessoas necessitando de remédios perdidos? - mas esperaram sua vez também para receber água, usar o telefone, receber atenção médica, alimentos, roupas e escalda pés singelos, com pouquíssima água.

Compartilharam também do resfriado, da falta de água para higiene pessoal e coletiva, da fome, da tristeza, da dor, das perdas de verduras, leite, da morte. Nos supermercados lotados e esvaziados de alimentos, não houve saques. Houve a resignação da tragédia e o agradecimento pelo pouco que recebiam. Ensinamento de Buda, hoje enraizado na cultura e chamado de kansha no kokoro: coração de gratidão.

Sumimasen é outra palavra chave. Desculpe, sinto muito, com licença. Por vezes me parecia que as pessoas pediam desculpas por viver. Desculpe causar preocupação, desculpe incomodar, desculpe precisar falar com você, ou tocar à sua porta. Desculpe pela minha dor, pelas minhas lágrimas, pela minha passagem, pela preocupação que estamos causando ao mundo. Sumimasem.

Quando temos humildade e respeito pensamos nos outros, nos seus sentimentos, necessidades. Quando cuidamos da vida como um todo, somos cuidadas e respeitadas. O inverso não é verdadeiro: se pensar primeiro em mim e só cuidar de mim, perderei. Cada um de nós, cada uma de nós é o todo manifesto.

Acompanhando as transmissões na TV e na Internet pude pressentir a atenção e cuidado com quem estaria assistindo: mostrar a realidade, sem ofender, sem estarrecer, sem causar pânico. As vítimas encontradas, vivas ou mortas eram gentilmente cobertas pelos grupos de resgate e delicadamente transportadas quer para as tendas do exército, que serviam de hospital, quer para as ambulâncias, helicópteros, barcos, que os levariam a hospitais.

Análise da situação por especialistas, informações incessantes a toda população pelos oficiais do governo e a noção bem estabelecida de que somos um só povo e um só país.

Telefonei várias vezes aos templos por onde passei e recebi telefonemas. Diziam-me do exagero das notícias internacionais, da confiança nas soluções que seriam encontradas e todos me pediram que não cancelasse nossa viagem em Julho próximo. Aprendemos com essa tragédia o que Buda ensinou há dois mil e quinhentos anos: a vida é transitória, nada é seguro neste mundo, tudo pode ser destruído em um instante e reconstruído novamente.

Reafirmando a Lei da Causalidade podemos perceber como tudo está interligado e que nós humanos não somos e jamais seremos capazes de salvar a Terra. O planeta tem seu próprio movimento e vida. Estamos na superfície, na casquinha mais fina. Os movimentos das placas tectônicas não tem a ver com sentimentos humanos, com divindades, vinganças ou castigos. O que podemos fazer é cuidar da pequena camada produtiva, da água, do solo e do ar que respiramos. E isso já é uma tarefa e tanto.

Aprendemos com o povo japonês que a solidariedade leva à ordem, que a paciência leva à tranquilidade e que o sofrimento compartilhado leva à reconstrução. Esse exemplo de solidariedade, de bravura, dignidade, de humildade, de respeito aos vivos e aos mortos ficará impresso em todos que acompanharam os eventos que se seguiram a 11 de março.

Minhas preces, meus respeitos, minha ternura e minha imensa tristeza em testemunhar tanto sofrimento e tanta dor de um povo que aprendi a amar e respeitar. Havia pessoas suas conhecidas na tragédia?, me perguntaram. E só posso dizer: todas. Todas eram e são pessoas de meu conhecimento. Com elas aprendi a orar, a ter fé, paciência, persistência. Aprendi a respeitar meus ancestrais e a linhagem de Budas.

Mãos em prece (gassho).


Peguei do blog do Lau essa maravilhosa reflexão: http://www.nadanovodebaixodosol.blogspot.com/
Para que nos inspiremos....

terça-feira, 5 de abril de 2011

Paulo Leminski

L'ÊTRE AVANT LA LETTRE


la vie en close

c'est une autre chose

c'est lui

c'est moi

c'est ça

c'est la vie des choses

qui n'ont pas

un autre choix

Espelho espelho meu

August Toulmouche - Vaidade
Fim do século XIX




Herbert COLE - The Critic
















A questão do espelho pode ser refletida de muitas formas, algumas assustadoras! A vida humana é tão efêmera... 

domingo, 3 de abril de 2011

Samba do Avião



Nossa, é de tirar o fôlego mesmo. Que saudade!

Merleau-Ponti

"Meu corpo está preso no tecido do mundo[...] Ele mantém as coisas em círculo ao seu redor, elas são um anexo ou um prolongamento dele mesmo, estão incrustadas em sua carne, fazem parte de sua definição plena, e o mundo é feito do estofo mesmo do corpo."
Maurice Merleau-Ponti - O olho e o espírito - p. 17

Alegoria da Abundância - Goltzius - Projeto de Fonte

Hendrick GOLTZIUS (Mühlbrecht, 1558 - Haarlem, 1617)

1598

Alegoria da Abundância ou ninfa fluvial?


Uma mulher de formas amplas se mantém de pé sobre uma tartaruga, escoltada por dois golfinhos. Porta uma coroa repleta de flores e frutos, ela parece ser a representação da abundância. Esta identificação pode, entretanto, ser colocada em questão pela forte presença do elemento aquático: a água saí em jatos finos de seu diadema assim como dos seus seios, que ela pressiona com a mão esquerda. Um véu transparente colocado sobre suas pernas cai em cascata até seus pés. O desenho colocado à esquerda da composição, que retoma a figura de perfil, realça claramente o alongamento da silhueta e o deslocamento acentuado de sua anca.

Museu do Louvre

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Manoel de Barros

Para entender nós temos dois caminhos:
o da sensibilidade que é o entendimento
do corpo;
e o da inteligência que é o entendimento
do espírito.
Eu escrevo com o corpo.
Poesia não é para compreender,
mas para incorporar.
Entender é parede; procure ser árvore.

Macrowikinomics Murmuration - legendado



Essa maravilha eu consegui através da Rosana, tão preciosa quanto as coisas que descobre.
"Quem quer que consiga perfumar a um escorpião, nem por isso escapará à sua picada"

Bahaudin Naqshbandi

Dia da mentira


 Conhecido também como dia dos tolos, o dia da mentira é comemorado em várias partes do mundo..